segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

o sótão

Não via a minha vida sem aquele sótão , foi lá que perdi o medo , foi lá que cresci.

Eram tardes e tardes a ouvir as tábuas a ranger sempre que dava um passo.

Haviam sempre partes que eu desconhecia naquele sótão , mas não queria saber , preferia ficar sentada a olhar para aquela escuridão e imaginar o que seria.
Só eu me importava com aquela parte da casa enorme onde só vivia a minha avó. só eu gostava do cheiro a pó, da madeira velha , do pressentimento que estava ali mais alguém.
Só eu gostava de me sentar a olhar para a janela à espera que o sol desaparecesse.

Mas nem tudo o que é bom dura para sempre. Quando tinha 7 anos aquele sótão foi destruído, e só me sobram brinquedos e memórias que dificilmente se esquecem e facilmente se recordam.



sábado, 29 de janeiro de 2011

não te percas !

Sou jovem demais para ter medo de perder
Mas um dia vou envelhecer,
Vou guardar a guitarra numa caixa e arruma-la
Vou deixar de beber sumo
Vou deixar de ver televisão
Vou deixar de estar com os meus amigos
Vou parar de sorrir
Vou começar a trabalhar
Vou viver para longe
E só quando for muito velha é que vou querer voltar a tocar guitarra para os meus netos
Vou querer beber sumo quando estiver sozinha e não poder.
Vou querer ver televisão e não conseguir ouvir
Vou querer estar com os meus amigos e ele já não estão cá.
Vou querer sorrir e só me resta chorar de arrependimento , porque nunca devia ter deixado de fazer o que gostava e de viver feliz.