Não via a minha vida sem aquele sótão , foi lá que perdi o medo , foi lá que cresci.
Eram tardes e tardes a ouvir as tábuas a ranger sempre que dava um passo.
Haviam sempre partes que eu desconhecia naquele sótão , mas não queria saber , preferia ficar sentada a olhar para aquela escuridão e imaginar o que seria.
Só eu me importava com aquela parte da casa enorme onde só vivia a minha avó. só eu gostava do cheiro a pó, da madeira velha , do pressentimento que estava ali mais alguém.
Só eu gostava de me sentar a olhar para a janela à espera que o sol desaparecesse.
Mas nem tudo o que é bom dura para sempre. Quando tinha 7 anos aquele sótão foi destruído, e só me sobram brinquedos e memórias que dificilmente se esquecem e facilmente se recordam.

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